Antes da palavra o terreno é da Coisa: terra de hominídeos e de bebês. A Coisa-Ser-Esfera é atravessada pela lâmina cortante da Alíngua materna. A fala do Outro-Mãe – ser falante, sapiens, Ⱥ, em sua falta-a-ser –, instituiu o Campo do Simbólico. O humano se constituiu como sujeito falante e construiu a humanidade. Como sujeito – assujeitado ao próprio Inconsciente e a sua falta-a-ser –, estruturou-se psiquicamente numa cultura, inventou a civilização, progrediu e regrediu ao longo do tempo. Nunca mais teve sossego…!
Descobriu que o Inconsciente estruturado como uma linguagem é marcado pela incidência do Real, a linguagem é confrontada com o furo no simbólico, e assim, portando, “o Inconsciente é a política”, posto que não há relação ^ proporção ^ complementariedade sexual entre o Campo do Sujeito ($: sujeito barrado) e o Campo do Outro (Ⱥ: Outro barrado).
Nessa condição, ($) e (Ⱥ) procuram criar meios discursivos – imaginários, poéticos, artísticos, humorísticos – supostamente capazes de evitar a incidência do Real na Linguagem e, assim, tamponar o furo no Simbólico. Na lógica da fantasia ($ ◊ a), esse objeto pequeno a como resto e marca real, opera como causa de desejo e de um gozo a mais.
Vozes arcaicas de um supereu atolado nas pulsões, exigindo gozo sem fronteiras, violento, mortífero, sádico e masoquista, amante de fazer o Outro gozar, no terreno inconsciente do Real-Isso, lógica do Impossível de completude do Ser. Se “o Inconsciente é a política”, o que ele sinaliza a nós na contemporaneidade? E o que a psicanálise tem a ver com ISSO?
MESSIAS EUSTÁQUIO CHAVES
(Comissão Organizadora)