Se, em um primeiro momento, a fantasia pode aparecer articulada à realização de desejo e do princípio do prazer, a experiência analítica mostra que ela também se enlaça àquilo que insiste para além dele. Pois há, na fantasia, uma dimensão de repetição, de fixação do sujeito a determinadas posições, cenas e modos de gozo. É nesse ponto que ela se aproxima do masoquismo, seu componente perverso, como permanência insistente em roteiros nos quais o sujeito reencontra, reiteradamente, impasses e formas de submissão ao desejo do Outro.
Articulando inconsciente e pulsão, dois dos conceitos fundamentais da psicanálise, a fantasia nos desafia no conhecimento de sua gramática e na decifração de sua lógica. Instituindo-se como realidade psíquica, ela exige de um sujeito na experiência analítica as tarefas de construção e travessia.
É nessa perspectiva que a Psicanálise, desde Sigmund Freud Jacques Lacan à atualidade, faz do conceito uma questão central e decisiva para o destino do sujeito. Mais do que reunir trabalhos, a XLIV Jornada do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais se propõe como um espaço de elaboração, criação e troca. O evento é um convite para interrogar, a partir do conceito de fantasia, da clínica e de processos de análise, as “histórias” que contamos, aquelas que nos contam, mas principalmente o que não é “história” rememorada, localizando a trama que as sustenta.
É justamente para construir todas essas questões, que tocam diretamente a teoria e a prática analítica, que o Círculo Psicanalítico de Minas Gerais convida para a sua XLIV Jornada, intitulada Essas histórias: na trama da fantasia. O encontro ocorrerá nos dias 1, 2 e 3 de outubro deste ano, no Centro de Convenções do Hospital MaterDei, em Belo Horizonte.
O Círculo Psicanalítico, fundado em 1963, está filiado ao Círculo Brasileiro de Psicanálise (CBP) e vinculado no âmbito internacional a International Federation of Psychoanalytic Societes (IFPS).